Estratégias de Leitura

3Estratégia nº1
Reforçar o envolvimento afetivo do mundo dos livros, é fundamental promover neles sensações agradáveis associadas à leitura. As atitudes positivas que os alunos observam nos adultos e os sentimentos que experimentam são essenciais para despertar o seu interesse pelos livros.
Na fase anterior à autónoma, o papel do educador/professor deve contribuir para conseguir este envolvimento afetivo.

Por isso devemos:
– transmitir aos alunos o gosto pelos livros e desfrutar as histórias que contamos;
– manifestar entusiamo em tudo o que lemos, pois somos parte fundamental na transmissão de fantasia e da cultura que os livros contêm;
– ajudar a compreender o enredo e a descobrir o que transmitem as ilustrações;
– propiciar uma proximidade entre o adulto, o livro e a criança, os olhares de cumplicidade, a sensação de sossego a tranquilidade nos momentos de leitura.
Estabelece-se, desta forma, um triângulo criança-professor-livro em que a inter-relação das partes é essencial para desfrutar a leitura.

Sugestões para a sala de aula:
– Favorecer a proximidade entre os alunos e o professor na hora da leitura.
– Procurar momentos de tranquilidade que ajudem à leitura dos contos.
– Durante a leitura, realizar pequenas pausas e olhar os alunos para lhes transmitir entusiamo e envolvência.
– Depois de terminada a leitura, permitir aos alunos que manuseiem livremente o livro e descubram novos pormenores nas ilustrações.
– Fazer desenhos, marionetas e teatros sobre as personagens e os acontecimentos da história. Estas atividades reforçam a sensação de proximidade relativamente às personagens.
– Proporcionar breves momentos de leitura durante a semana. É importante participar nesta leitura para que os alunos observem e imitem atitude de concentração necessária.
– Conversar com os alunos sobre os livros que o professor lê nos tempos livres e, inclusivamente, resumir brevemente o seu argumento. É importante que os alunos percebam que a leitura é uma atividade quotidiana do professor.

Estratégia nº2 Criar um ambiente estimulante e propício para o processo de leitura

Organização do espeço:
Se pretendemos proporcionar um ambiente agradável na sala de aula relacionado com a leitura, o lugar e a disposição do mobiliário das zonas destinadas a esta atividade devem organizar-se previamente.
Estes espaços da sala de aula que se utilizam com maior frequência:
– o canto da sala destinado à leitura;
– a biblioteca da escola.

O primeiro deve ser amplo e bem iluminado, para que todas as crianças possam perceber com clareza a atitude do professor perante o livro, as suas expressões e a sua voz, além de poderem apreciar os pormenores das ilustrações.
Por seu lado, a biblioteca deve converter-se um lugar importante da escola: agradável, bem iluminado e organizado, isto é um local mais tranquilo possível. Deve conter livros sobre os mais variados assuntos: contos, banda desenhada, revistas e suplementos infantis… É fundamental que este espaço seja considerado como algo valioso que vale a pena desfrutar e cuidar.
Para facilitar a sua organização e manter o interesse dos alunos perante os livros, é conveniente que estes não sejam muito numerosos e que possam renovar-se com certa frequência. O professor realizará previamente uma seleção de títulos que ampliará a a biblioteca à medida que forem lidos e que realizem atividades com eles.

Organizar o tempo:

É importante que o tempo destinado à leitura coincida com períodos em que os alunos se mostrem mais atentos e recetivos. Diariamente, deixaremos usar a biblioteca de forma autónoma. Além disso, semanalmente, pode reservar-se algum tempo para que os alunos e docentes leiam os seus livros.
Por último, com certa frequência, o professor deve apresentar um conto novo com o qual se realizam atividades de animação.

Sugestões para converter a biblioteca num lugar aprazível e valioso:

- Mostrar a biblioteca sem livros no início do ano, com o objetivo de a completar e decorar progressivamente.
– Utilizar a biblioteca de forma voluntária e autónoma.
– Apresentar cada novo livro aos alunos como uma surpresa ou um “presente” do professor, uma personagem imaginária ou uma mascote da escola.
– Destinar um lugar especial para o novo conto, com que se realizam atividades de animação.
– Decorar a biblioteca com desenhos ou marionetas que os meninos façam sobre as personagens que tenham conhecido.
– Decorar as paredes com citações importantes de alguns livros.
– Colocar cartazes sobre as atividades relacionadas com os livros (feira do livro, representações de teatro …).

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Estratégia nº3 Estimular a curiosidade pelos livros

O gosto pela leitura transmite-se às crianças pela emoção que os livros despertam em nós.
Para motivar os alunos para a leitura, os livros devem reunir os seguintes requisitos:
– fazer parte do quotidiano do aluno (sendo imprescindíveis os contos tradicionais e atuais, livros de poesia, teatro infantil, etc.).
– estar adaptados aos interesses dos alunos.
Para que os livros sejam objetos imprescindíveis do dia-a-dia das crianças, deve-se:
– Promover o uso da biblioteca da escola.
– Conversar habitualmente sobre os textos que se leem, que aparecem em jornais, etc.
– Visitar a biblioteca da localidade ou do bairro.
– Assistir a uma feira do livro que se realize na localidade.
– Promover a leitura de contos por alunos mais velhos.
– Valorizar os contos que os alunos tragam de casa.
– Criar efemeridades como “S Semana do Conto” ou o “Dia do Livro”.
– Incutir nas crianças o hábito de cuidar dos livros e de os conservar de forma adequada.
– Designar periodicamente um aluno responsável por organizar e controlar os exemplares da biblioteca, e valorizar esta função.
Os livros mais adequados para a animação da leitura são:
– Os conteúdos, atrativos e acessíveis, devem ser próximos dos interesses dos alunos.
– As ilustrações têm de ser variadas e atraentes.
– É importante que apresentem uma certa resistência, não se deteriorando facilmente.
– Os alunos devem poder manuseá-los à vontade e mostrá-los às pessoas mais próximas, como fazem com um brinquedo valioso.
– Devem ser de diferentes tipos: contos tradicionais e contos contemporâneos, histórias sobre animais, poesias, livros, revistas, que dão a conhecer paisagens, povos, costumes, curiosidades sobre o mundo, etc. (Os contos tradicionais fazem parte do nosso património cultural e devem ser compreendidos pelas crianças. Os contos de autores contemporâneos são essenciais para despertar nos alunos a curiosidade pelo desconhecido).

Estratégia nº4: Facilitar a compreensão e o prazer do texto

Quando contamos uma história desconhecida aos alunos, é conveniente realizar algumas atividades que ajudem à sua compreensão.
“A posteriori”, propõem-se atividades adaptadas a alunos do primeiro ano para que o docente escolha as mais adequadas a cada conto.

A frase errada
Depois de uma primeira leitura do conto, propomos aos alunos uma segunda leitura, na qual se introduzem algumas frases que não correspondem ao texto original, com a intenção de eles as descobrirem.
Estas frases intrusas podem corresponder a contos populares ou a outros conhecidos das crianças. Neste caso, podemos pedir-lhes que digam a que conto pertencem.

Verifica
Antes de ler o conto, devemos dizer aos alunos para estarem atentos às ilustrações a fim de poderem responder às perguntas do jogo que se propões a seguir.
Esta atividade consiste em fazer perguntas sobre as características das personagens e dos objetos do conto, para que as crianças descubram as respostas.

Adivinha
Após a primeira leitura do conto, descrever as características físicas de cada personagem, as suas ações e a sua personalidade. Posteriormente, de forma coletivamente, inventam-se adivinhas sobre cada um deles.
Podem escrever-se numa folha, fotocopiar e pedir aos alunos que façam, junto de cada adivinha, o desenho da personagem correspondente.

Como acabou a história

Quando estamos perante um conto com certo suspense e mistério, podemos interromper a sua leitura no momento mais alto da ação e propor aos alunos que inventem três finais possíveis. Ler posteriormente, o conto completo e comparar as propostas dos alunos.

O conto inventado

Para fazer esta atividade, o professor deve ir mostrando a capa e as ilustrações, uma a uma, para que as crianças inventem um texto a partir delas.
Depois, ler o conto e comparar, em que se assemelham, de qual é que gostou mais, qual é o mais emocionante.

Continua o conto
Esta atividade começa com a leitura de um conto. Posteriormente realizar algumas perguntas para comprovar a sua compreensão, propõem-se aos alunos que inventem a continuação da história com as mesmas personagens.
Num dado momento, pode introduzir-se uma nova personagem ou determinar-se uma situação que suponha um novo conflito que os alunos tenham de resolver.

Estratégia nº5: Favorecer o envolvimento da famílialeitura feliz

As crianças imitam os comportamentos dos adultos: por isso, a influência da família na aquisição de hábitos de leitura é fundamental. O carinho com que os pais leem contos aos seus filhos ou a magia que se cria nesses momentos são algumas vivências que ficam associadas à leitura.
Na atual realidade social, encontramos famílias que adquirem livros para os seus filhos e os leem com eles, enquanto noutras esse comportamento não faz parte dos seus hábitos.
Na escola, podemos ter procedimentos que contribuam para que os alunos escutem os contos lidos pelos seus familiares, fazendo com que os livros sejam objetos apreciados em suas casas. Por isso, é essencial que o docente promova a participação das famílias no envolvimento no desenvolvimento de atitudes que favoreçam a leitura.
Neste seguimento, sugerem-se algumas linhas de atuação para o envolvimento positivo das famílias no despertar do interesse das crianças pelos livros.
-A biblioteca aberta
À vez, os alunos levam para casa um livro de histórias da biblioteca da escola, para que os familiares o leiam com eles. Quando se trata de textos muito conhecidos, podem ser os alunos a “ler” aos pais esse conto.

- Exposição de contos
Podemos sugerir às famílias a realização de uma exposição de contos infantis que os alunos trarão de sua casa. Cada aluno mostrará aos seus companheiros o conto que trouxe, dizendo quem lhos ofereceu, se gosta dele e quando os familiares o leem para ele. Durante uma semana, os contos estarão na biblioteca, à disposição de outros alunos que o desejam ver.

- Um conto de Natal
A escola pode enviar às famílias, uma carta a lembrar a importância de oferecer um livro de histórias no Natal. Nessa carta apresentam-se as características que devem ter os contos para a idade dos seus filhos: boa encadernação para não se deteriorarem facilmente, texto simples e ao gosto das crianças veiculando valores fundamentais, ilustrações coloridas e com pormenor, etc.
– O caderno e o conto
Consiste em levar para casa um livro desconhecido das crianças, juntamente com um caderno, feito na escola, com folhas. Depois de um familiar contar o conto, cada criança observa o caderno com os desenhos dos companheiros e completa-o com desenhos feitos por si. Nesse desenho pode intervir o adulto, já que se trata de um momento de união à volta do livro.
– Um conto pessoal
O professor fotocopiará vários desenhos relacionados com as cenas principais de um conto clássico. Com estes desenhos pode fazer-se um pequeno livro, que os alunos levarão para casa para pintar e para que os seus familiares o leiam com eles.

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